A Grande Traição dos Militares e o atual KO Técnico das Forças Armadas

Atualizado: 10 de Dez de 2020

Quando uma Instituição de Soberania, como as Forças Armadas, enrola os carregadores em fita adesiva, para os seus elementos não poderem usar os seus instrumentos principais de trabalho - as Armas, isso só pode significar uma coisa - O Povo português não quer ser Soberano.



Com a recente humilhação da Forças Armadas em praça pública, por estas terem recuperado as munições roubadas dos paióis de Tancos, bem como as últimas notícias a informar o povo português de que quase já não existem Soldados nas fileiras, muito menos pessoal para ocupar todas as vagas disponíveis nos cursos de Oficiais Contratados (os contratados mais bem remunerados), chegamos à triste conclusão que algo se passa de errado com a Defesa Nacional.


"A Direita nunca perdoou aos militares o facto de terem feito o 25 de Abril. A Esquerda, parece que também não ficou muito contente por terem sido as Forças Armadas, e não os conspiradores contra o regime, a deitaram abaixo o Estado Novo."

Até agora, exceto o PCP, parece que todos têm conspirado para a destruição desta instituição de soberania militar, bem patente na frase tantas vezes repetida na comunicação social ou de boca em boca pelos portugueses – “se não há guerra para quê que precisamos de Forças Armadas”. Nem um alfaiate de alta costura teria conseguido fazer melhor num contexto cultural onde o que interessa para a maioria dos portugueses é o “aqui e o agora”, tipo nos jogos olímpicos, em que os grandes “espertalhaços” só começam a formar as equipas e a treinar, após a data oficial do início das competições.


Mas afinal terão sido os políticos ou a população os grandes empreiteiros desta destruição anunciada?


De maneira alguma!

Embora a máxima responsabilidade tenha sido dos governos, principalmente a partir do momento em que decidiram ser eles a escolher as chefias militares, a grande derrocada resultou, em muito, da ação dos militares, ou da reação (má reação) destes às armadilhas montadas pelos políticos.

A instituição militar, pela forma que tem de operar, necessita de ter uma cultura organizacional de cariz coletivista. Neste tipo de culturas abundam os preguiçosos (aqueles que não fazem o que devem na altura certa), os moralmente covardes e os invejosos. A nível das culturas nacionais, o coletivismo é uma dimensão ligada à falta de desenvolvimento social, político e económico. O mesmo acontece com essa dimensão cultural ao nível organizacional. Apesar de todos os esforços feitos pela instituição militar para contrariar o coletivismo, como a proibição das praxes; a anulação de muita da simbologia diferenciadora dos vários grupos, armas e serviços; a aposta na formação dos quadros; bem como a adoção de um uniforme de combate idêntico para os três Ramos; mesmo assim a derrocada foi inevitável.

Temos que compreender que as Forças Armadas nunca puderam usufruir de mecanismos de gestão como o dinheiro, o melhor entre todos, quer em termos de estímulos para uma boa gestão, quer em termos de avaliação dos resultados finais. Numa empresa privada, se um determinado produto vende bem, é porque a ideia é boa. Ou seja, a empresa está no caminho certo. Nas Forças Armadas, não é tanto assim. E criar medidas de eficiência funcionais que resistam à vontade de agradar aos que estão no poder nunca foi fácil.


Na minha perspetiva, decorrente da minha experiência profissional, foram cinco as principais causas da atual decadência das Forças Armadas, decadência essa que não é novidade nenhuma, pois há séculos que se vem repetindo:


- A grande traição ao core business das Forças Armadas.

Conforme o nome indica, as Forças Armadas trabalham com armas. Quando aconteceram alguns acidentes mortais com armas de fogo, resultando em acidentes de serviço, a solução fácil à portuguesa, e de acordo com a cultura feminina do kindergarten (o faz de conta), foi enrolar os carregadores das armas com fita adesiva. Desta forma os militares passaram a carregar com o peso das armas, mas sem nunca as poderem realmente usar, pois com a fita adesiva, passou a ser completamente impossível reagir em tempo oportuno a uma ameaça à segurança das instalações ou até mesmo para legítima defesa dos militares em serviço. Ou seja, ser militar passou a ser uma fraude, um faz de conta, em que o pessoal sobrecarregado com serviços de 24 horas atrás de 24 horas, afinal nada faziam em prol da segurança.

A partir daqui o estatuto e a condição militar passaram a ser um “verbo de encher”, um faz de conta. Claro está que, devagar, devagarinho, a perceção sobre a responsabilidade de se trabalhar com armas se foi esboroando. A preocupação com a segurança do armamento e munições foi-se dissipando. Afinal de contas, tudo era a fingir. Depois disto foi só alguém aproveitar-se dos militares para atacar um governo em funções.

Existem fortes indícios, não quer dizer que tenha sido assim que aconteceu, que o assalto aos paióis tenha sido perpetrado pelo Ministério Público e o seu serviço de informações privado - a PJ (os dois mesmos que ainda hoje são suspeitos de terem executado um suposto atentado bombista ao avião onde viajava o então primeiro ministro Sá Carneiro, ou pelo menos de terem colaborado com os executantes e depois encobrido esse crime, segundo outras versões). Em estreita colaboração com o PSD e o CDS (que mostraram terem informação privilegiada e que pressionaram politicamente todo o processo) bem como com a colaboração de alguns empresários da comunicação social, a Procuradora Geral da República armou uma grande "peixeirada" em broadcasting internacional para gaudio das nações estrangeiras. Estes indicadores apontam para suspeitas, no entanto, a questão aqui não é o facto de terem sido eles ou não, mas antes sim o facto do principal suspeito, o Ministério Público, ser aquele que tem vindo a conduzir as investigações e que irá contar toda a história à sua maneira e interesse, o que transforma toda esta investigação criminal numa grande fraude.

Tudo isto foi afastando as gerações mais novas, as quais já não estão tão formatadas para o servilismo do poder, como as gerações do Estado Novo; e por causa disso mesmo, estão agora mais focados em experiências de vida enriquecedoras e não tanto na procura de um futuro estável e aborrecido, só possível para quem se cola ao poder em troca de segurança. Agora não há soldados!


- A grande traição ao juramento de bandeira.

A Constituição da República (CR) impõe a separação entre igreja e Estado. Militares, polícias e titulares dos Órgãos de Soberania são obrigados a jurar lealdade à República, bem como a defesa da Constituição.

Militares e Polícias juram defender a Constituição da República, sem a terem lido, cerca de 300 artigos. Tudo a fazer de conta e sem qualquer tipo de responsabilidade.

Como se explica que o Ministério da Defesa Nacional continue a impor uma capelania militar às Forças Armadas e à Forças de Segurança?

Como se explica que uma organização estrangeira – a igreja católica, esteja agora, ou desde o Estado Novo, infiltrada nas Forças Armadas e nas Forças de Segurança?

É que embora em território nacional, seja operada por cidadãos portugueses, não é mais do que uma organização que pertence a um Estado estrangeiro (o Vaticano) e apenas a estes deva lealdade, não aos nossos Órgãos de Soberania Nacional ou mesmo ao Povo português.

Esta situação constitui uma clara traição àquilo que é de todos nós, o povo Português - a CR.

O conceito de Estado Soberano e a correspondente condição de soberania nacional, que tal como o direito à vida é um conceito abstrato, significa que em Portugal, o Estado é internamente o poder mais forte e que a nível internacional se relaciona com os outros Estados de igual para igual. Para ser o Poder mais forte, o Estado precisa de força, precisa de Forças Armadas e de Forças de Segurança para que possa impor a vontade do Povo dentro e fora de fronteiras. Se estas duas instituições têm ligações psicológicas a um Estado estrangeiro que lhes diz o que é correto e o que é incorreto, que lhes diz quando é que podem morrer e matar; que tipo de instituições afinal são estas controladas psicológica e moralmente pelo Império Romano?

Desta forma, as Forças Armadas e de Segurança, não servem a vontade dos portugueses, nem estão sobe o seu comando, mas antes sim, de interesses estrangeiros. Os cidadãos que pertencem a estas instituições de Soberania Nacional nunca vão morrer ou matar pelo povo português, mas antes e apenas por aqueles que lhes oferecem um lugar no céu. É por isso que a igreja católica e aqueles que têm governado legitimados por ela, nos têm tentado convencer que as nossas vidas não nos pertencem, apenas eles têm o poder para sobre as nossas vidas decidir. No entanto, se for ao serviço dos que estão no Poder, legitimados por Roma, aí já se pode morrer e matar. Para tal colocam esta capelania militar a dar autorização moral aos militares e polícias para morrerem e matarem.

Trair a CR é trair o povo português. Aos poucos, aos pouquinhos, a realidade sempre vem ao de cima e cada vez mais os jovens estão preparados para pensar pelas suas próprias cabeças. Agora não há soldados!!


- O ataque aos capitães dos Quadros Permanentes (QP) e a corrupção do conceito de disciplina militar.

A economia (e o preço do trabalho) funcionam com base na lei da oferta e da procura. Com o fim do Serviço Militar Obrigatório e o início do Regime de Contrato, como única solução de recrutamento de Praças para as Forças Armadas, o “poder de barganha”, como dizem os brasileiros, passou a “marcar a cadência”. Com a quantidade de covardes e preguiçosos que existem nas culturas coletivistas, a solução das chefias militares em exercício (remeto aqui para uma determinada geração de Oficiais Superiores e Oficiais Generais), o princípio emanado pelos Estados-maiores foi o seguinte: as unidades com maior número de punições são as unidades com mais problemas de disciplina, e os seus comandantes os mais incompetentes. Isto constituiu uma das maiores inversões da disciplina militar, tendo obrigado os comandantes das unidades militares a pressionarem os seus Comandantes de Companhia a não exercerem a sua autoridade e competências disciplinares de forma a não se arriscarem a perder recursos humanos (por expulsão das fileiras) que depois não seriam substituídos pelos órgãos de gestão de recursos humanos.

Como os Capitães dos QP não podiam fugir e o importante era atrair Praças para satisfação das necessidades imediatas de manutenção das estruturas, os comandantes dedicaram-se a prejudicar a carreira dos novos oficiais do QP (prejudicando nas avaliações anuais aqueles que tivessem a ousadia de fazerem processos disciplinares), em troca de efetivos (Praças), mesmo que estes não correspondessem aos critérios mínimos aceitáveis. Coronéis que nunca na vida tinham feito um processo disciplinar, habituados, alguns deles a resolverem os problemas disciplinares dentro dos seus gabinetes, à chapada, de forma acovardada, decidiram perseguir e sabotar a carreira a Capitães que exerciam a sua competência disciplinar de uma forma legal e transparente, através de processos escritos, com provas e argumentos que suportavam as suas decisões.

No fundo, toda a instituição se ajoelhou covardemente perante o poder de barganha dos cidadãos voluntários. O resultado foi bem nítido. Os melhores elementos, fartos da “bagunçada”, acabaram por rescindir contrato. Para os delinquentes e os preguiçosos foi o paraíso.


- A escolha dos heróis errados.

A escolha dos heróis por parte das organizações é essencial, quer para a sua sobrevivência, quer em especial para a manutenção do seu prestígio.

Nas organizações coletivista, abundam os preguiçosos e os covardes, conforme já tínhamos visto. Nas Forças Armadas, estes últimos sempre procuraram alguém que lhes fizessem o trabalho, deixando-lhes tempo para atividades mais confortáveis, tipo andar a cavalo ou dar “aulinhas”.

Este tipo de gente, em especial certos e determinados Oficiais, começaram a olhar ao redor e repararam que existiam uns elementos que precisavam de pensar que eram melhores que os outros, pessoas com problemas de afirmação que gostavam de se colocar acima dos seus iguais e pensar que eram especiais. Outros ainda, apenas queriam ação e realismo. Isto foi um maná para os preguiçosos. Os preguiçosos chegaram e disseram: vocês são os maiores, só vocês é que podem fazer isto (combater em situações especialmente perigosas). Com o ego inflamado, estas pessoas com aspirações a super-heróis, embora bebessem um bocado demais, foram-se convencendo de que eram mesmo bons. Habituaram-se a dizer que eram bons porque os outros não prestavam.

Quando surgia um problema e era preciso avançar para o perigo, eis que chegava a hora dos super-heróis… sempre recordada pelos tais preguiçosos: só vocês é que podem fazer isto. AVANCEM!!!

No fundo as Forças Armadas têm vivido à sombra de dois tipos de heróis pouco recomendáveis - para uns, os Soldados, as Tropas Especiais; para outros, os Oficiais, os Professores. Entre gente com problemas de afirmação e gente preguiçosa, venha o diabo e escolha.

O grande problema é que todo o recrutamento foi sendo orientado, com prioridade, para a captação do voluntariado para as tropas especiais. Como todos sabemos, hoje em dia, as capacidades de defesa residem na tecnologia, em especial nas áreas da Marinha, da Força Aérea, ou então do Exército, mas mais nas componentes da Artilharia, na Intelligence, das Comunicações e da Logística; e não nas tropas de choque (diferente das Operações Especiais). Permitiu-se que estas tropas de choque, os comandos, os paraquedistas e os fuzileiros, fossem roubando pessoal às Forças Armadas, para depois achincalharem as tropas ditas “normais” como se de cidadãos de terceira categoria se tratassem. Foi o método típico das pessoas com problemas de autoestima. Era prática comum durante a instrução, que os instrutores destas tropas incentivassem os seus recrutas a atacar outros militares portugueses. Todos se lembram das humilhações que estes elementos das tropas de choque infligiam aos soldados das tropas normais, no tempo do Serviço Militar Obrigatório, durante as viagens de comboio, que eles chamavam de “pacaças”, um termo vindo dessa geração criada durante o Estado Novo, bem como das rixas entre as diferentes tropas de choque ou entre estes e as Polícias Militares, nas estações da CP. Nada mais que “Filmes de delinquência” de gente com complexos de inferioridade.

Nunca os Oficiais Generais foram capazes de fazer algo contra isto. O problema é que os portugueses sofrem de covardia moral, mas não são parvos. E embora as Forças Armadas sejam das instituições que mais oportunidades profissionais e de vida oferecem aos seus elementos, muitas outras empresas privadas estão a aparecer na arena da competição.

Em termos de mercado de vida, as Forças Armadas perderam claramente a competição, graças a uma data de gente que é covarde, preguiçosa e autocrática.


- Os ataques internos aos direitos de camaradas por parte dos órgãos de administração.

São muitos os processos em tribunal contra os Ramos das Forças Armadas. Ao abrigo do princípio de que o Estado é solidário com as decisões dos seus agentes, muitos militares em funções nos órgãos de administração e gestão de recursos humanos dos Ramos têm aproveitado para descaradamente violarem as leis e assim prejudicarem as carreiras e os direitos de outros camaradas. Tudo isto tem sido apoiado pelas chefias.

As violações e interpretações da lei têm sido de tal forma ridículas que nem deveriam ser aceites pelos tribunais, não estivessem estes habituados a aproveitarem-se destas situações para fazerem negócio.

Normalmente, desde o 25 de abril, que as hierarquias militares perdem todos os processos em tribunal, tal é a displicência e o ridículo com que muitas decisões têm sido tomadas. No final, nenhum dos funcionários, civis e militares ou chefes e comandantes, são punidos pelos abusos que cometem. Afinal quem paga as indeminizações é o erário público, com os impostos de todos nós.

Isto tem destruído a coesão dentro das Forças Armadas e as relações de confiança que devem existir entre subordinados e comandantes/chefes.

Chegamos aonde chegamos e não aparece ninguém para assumir a responsabilidade, apenas académicos e gente com complexos de inferioridade a insistir na mesma tecla do corporativismo/coletivismo e da importância das hierarquias… e olhem que o regresso ao serviço militar não é solução!

Resta parar as Forças Armadas “para obras” e repor o bom senso e medidas contra os tais covardes e preguiçosos.

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