O coletivismo - corrupção, inveja, covardia moral e muita preguiça.

Atualizado: 3 de Dez de 2020

A corrupção, não só a económica como também a de cariz política, tem sido uma das maiores ameaças ao desenvolvimento de Portugal.



Bem vindos a mais um post. Hoje vamos analisar o fenómeno da corrupção e como ele está profundamente ligado às características culturais, de cariz coletivista, em que a nossa sociedade tem estado mergulhada. Sem uma visão precisa e rigorosa sobre o fenómeno, de nada valem promessas políticas.

“Um corrupto é comparável a alguém com mau hálito: é o único que não sabe que é corrupto.”

Coletivismos/individualismo constitui uma dimensão cultural que mede o nível em que determinado povo considera ser o indivíduo a existir em função do grupo ou então o grupo a existir para satisfação das necessidades do individuo.

Portugal é dos países europeus com uma cultura coletivista mais acentuada. Mesmo a Rússia, a Turquia ou todos os países de Leste apresentam valores coletivistas inferiores ao do nosso país.


Apenas os países nórdicos e os anglo-saxónicos têm culturas individualistas. Espanha e Israel estão nos limites dos valores individualistas.


"O individualismo é um traço essencial da atual civilização ocidental, onde Portugal apenas pertence em termos geográficos e nunca verdadeiramente culturais."

O coletivismo está associado ao terceiro mundo, à corrupção e ao fraco desenvolvimento social e político. No polo coletivista desta dimensão cultural, em termos de regulação das relações sociais, tomam parte relevante o grupo, a família, o clã ou a tribo. O desenvolvimento do indivíduo é muito influenciado por estes grupos, sendo a sua perceção de sociedade desde criança muito restringida às relações de lealdade para com eles, tudo em troca de proteção. Para quem nasce numa sociedade coletivista o seu conceito de país ou nação é muito diminuto, normalmente associado ao bairro, à rua ou no máximo ao clube de futebol.


Uma sociedade com uma cultura coletivista é sempre uma sociedade pouco coesa, constituída por vários grupos em conflito entre si, em que os elementos de cada grupo apenas nutrem sentimentos de pertença entre si dentro do mesmo grupo ao mesmo tempo que desconfiam das pessoas dos grupos a que não pertencem, mesmo sabendo que têm todos a mesma nacionalidade. Este tipo de sociedades são fáceis de dividir e atacar, basta para tal gerar pequenos conflitos de interesse entre grupos abstratos (onde ninguém sabe muito bem onde se situar porque não conseguem compreender conceitos abstratos) ou mesmo reais. Como ninguém tem um sentido daquilo que é mais comum a todos como nação, acabam por se socorrerem de traços materiais ou mais visíveis identificadores do grupo a que pertencem como forma de se identificarem e assim encontrarem proteção e relações de lealdade que lhes dêem sentido. Norte contra o Sul, público contra o privado, velhos contra novos, tudo serve para gerar conflitos e dividir o país.


O coletivismo está associado ao terceiro mundo, à corrupção e ao fraco desenvolvimento social e político.


Assim, o coletivismo resulta da influência da família extensa, típica das sociedades agrícolas. Como funciona?

Numa família grande, com pais, avós, tios e primos a viverem debaixo do mesmo teto e em espaços exíguos acabam por se desenvolver mecanismos destinados a reduzir os conflitos dentro da família, ao mínimo possível. O importante é evitar sempre discórdias e discussões internas. Ter ideias próprias pode ser muito perigoso, pois os membros mais antigos da família estão sempre presentes e não gostam de ideias e valores diferentes daqueles que lhes foram incutidos durante a sua vida.

Se por exemplo, os parafusos de uma das portas de casa se começam a desapertar e a porta ameaçar cair, normalmente ninguém diz nada, para evitar preocupações e culpabilizações. Se algum dos elementos, talvez aquele que mais se sente afetado pelo mau funcionamento da porta levanta o dedo e diz: - a porta tem os parafusos desapertados e ameaça cair; a partir daí, como castigo, passa ele a ser o responsável por cuidar de todas as portas. No fundo todos os outros também tinham reparado no problema, mas optaram por assobiar para o lado com medo que alguém os acusasse pelo mau estado da porta.


No coletivismo, tudo é de todos, mas apenas para usufruir, nunca para cuidar. É um sistema onde o indivíduo se tem que anular em troca de aceitação e da proteção do grupo. Quem for diferente normalmente é alvo de assédio moral e é gozado por parte dos que querem liderar o grupo, como forma de intimidar os restantes elementos a seguirem o exemplo deste pretenso líder.

É um sistema onde ninguém se entende e onde cada um tenta arranjar o seu espaço sem tentar interferir com o dos outros. Ideias e iniciativas próprias são proibidas pois podem afetar os restantes elementos.

O resultado disto traduz-se em três características:

- A inveja. O valor igualdade sobrepõem-se ao valor liberdade. Todos acham que devem ser iguais e ter direito às mesmas coisas. Lembram-se da velha frase “se não há para um não há para todos”. Daí a inveja sobre aqueles que têm algo de diferente, o que resulta numa atitude de autossabotagem social – eu não sei, os outros não podem saber; eu não tenho, os outros não podem ter. No fundo, quem tiver ideias ou ambições que até podem beneficiar toda a comunidade, acabam por ser atacados e sentirem-se inibidos de evoluírem. No fim todos sofrem com isso.

- Covardia moral. Da mesma forma que a covardia física diz respeito ao não se fazer aquilo que se acha que deve ser feito com medo dos danos físicos que daí possam resultar, agressões, acidentes, etc.; a covardia moral diz respeito ao não se fazer aquilo que se acha que deve ser feito com medo das consequências morais daí resultantes, como retaliações por parte do grupo a que se pertence, ser-se colocado de lado pelos amigos ou mesmo advertido pelas figuras da autoridade. Antes de se poder encetar algo é sempre necessário falar com o grupo para primeiro se obter a sua anuência, o que demora tempo e conduz à perda de janelas de oportunidade.

- A preguiça. Qualquer ação nossa ou ideia que possa mudar algo, irá ter impacto no restante grupo. Eles poderão ficar arreliados por alguém lhes provocar alterações ao seu quotidiano ou mesmo arranjar-lhes trabalho extra. Ninguém quer fazer mais do que aquilo a que está habituado, tudo para não se alterar o equilíbrio dentro do grupo. Daí que as pessoas estejam habituadas a não fazerem aquilo que é necessário na altura certa, pois receiam retaliações por parte do grupo. No fundo isto é a preguiça. Portugal é dos países onde a população trabalha mais, mas com menos resultados finais, tudo porque não se faz o necessário na altura certa, acabando mais tarde por se acumular mais trabalho. A covardia moral e a inveja juntam-se para este efeito da preguiça.

- A corrupção. Tudo para o indivíduo depende do grupo. Daí que seja necessário manter e pagar lealdades. É um sistema onde as pessoas inconscientemente tentam seduzir outras para as relações de lealdade como forma de alguma forma as controlarem. Oferecem favores a alguém que se encontra em estado de necessidade para depois, mais tarde, exigir em troca. Quanto mais ilegais e secretas forem estas trocas, mais forte as relações sociais são estabelecidas. Ou seja, perverter o sentido formal das coisas, daquilo para que elas foram criadas, constitui uma forma de criar grupos mais pequenos e coesos dentro de um grupo maior, grupo esse onde a coexistência sempre foi mais difícil de coordenar.


"No coletivismo, tudo é de todos, mas apenas para usufruir, nunca para cuidar."

Para além das questões de lealdade ainda existe outra, relacionada com a perversão do sentido das coisas – o desenrascanço. As coisas foram criadas para funcionarem de uma determinada maneira, mas quando não existem condições para se respeitar essa premissa e é muito difícil coordenar as coisas com o grupo no sentido de se arranjarem outras soluções, eis que entra o espírito de desenrascanço individual, uma das maiores capacidades dos portugueses, também associada à cultura de falta de tolerância à incerteza e à ambiguidade. Por exemplo, usa-se uma caneta para segurar o cabelo, em vez de um gancho.

Outro exemplo é o apertar de um parafuso. Como todos sabemos, existem vários tipos de parafusos, cada um com um tipo de cabeça diferente, uns em estrela outros em cruz, etc. Um bom trabalhador necessita de uma boa coleção de ferramentas para trabalhar com todo tipo de parafusos. Como o português é desenrascado, normalmente anda com as ferramentas todas à toa e depois aperta os parafusos com uma chave errada que acaba por destruir a cabeça do parafuso. O serviço fica feito, mas só para aquele momento. O próximo que vier e tiver que desapertar o parafuso, vai ter muitas dificuldades, coisa a que o primeiro normalmente responde “o próximo que vier que se lixe”, que se desenrasque.

Nós os portugueses, por sermos desenrascado somos bons no nível de execução, ao contrário de outros povos que apenas se limitam a seguir as regras. O problema é que depois surgem dois efeitos nefastos:

- Temos chefes muito fracos que nunca foram habituados a planear e a prever os acontecimentos, porque nunca precisaram. Sempre puderam contar com o desenrasque dos seus subordinados. E é o chefe que tem sempre o ordenado mais alto, não o desenrascado.


- Os mais desenrascados acabam por ter mais facilidade em subir na carreira, pois são os que obtêm melhores resultados. O problema é quando passam para os níveis de gestão de nível intermédio e estratégico. Trabalhar com a gestão de recursos humanos ou recursos financeiros não é compatível com desenrascanços, mas eles continuam a fazer aquilo que sempre fizeram, desenrascar, o que resulta em péssimos resultados associados à corrupção e ao mau funcionamento das organizações e do país.


Combater a corrupção com a justiça não funciona, pois esta também é corrupta.


Combater a corrupção com a justiça não funciona, pois esta também é corrupta. Reduzir os traços culturais coletivistas e aumentar os individualistas é a solução duradoura para o problema.


Criminalizar as praxes, o cabulanço na escola, reduzir as manifestações exteriores entre classes sociais, combater o assédio moral contra as pessoas que são diferentes e melhorar a igualdade de género são as soluções mais eficazes.



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Eduardo Baptista

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