O Catolicismo e o Comunismo - Duas Faces da mesma Moeda

Na história da humanidade, algumas ideias criaram civilizações e “arrasaram montanhas”. Outras houve que, apesar do seu enorme impacto momentâneo, mal se realizaram, perderam toda a sua força.

As primeiras dizem respeito a promessas ou sonhos de felicidade eterna, mas noutra vida; as segundas, mais fracas, prometem o paraíso na terra, alcançável a quem por elas lutar ou, pelo menos, aos seus descendentes.


Foi com promessas de felicidade eterna, noutra vida, que a civilização ocidental, se erigiu. Foi com promessas de felicidade eterna, num paraíso cheio de virgens e rios de mel, em troca da disponibilidade para se lutar e morrer pelo Corão, que o Islão conquistou todas as antigas civilizações em torno do Mediterrâneo.


"Na história da humanidade, algumas ideias criaram civilizações e “arrasaram montanhas”. Outras houve que, apesar do seu enorme impacto momentâneo, mal se realizaram, perderam toda a sua força."


Com a revolução francesa e depois o advento da revolução industrial, surge entre as classes operárias e de agricultores a ideia que afinal todos deveríamos ser iguais debaixo de um poder centralizador do Estado, poder esse que absorveria o individualismo de homens e mulheres ao serviço do coletivo e de um bem maior: assim nasceu o ideal de socialismo/comunismo.


A explosão desta ideia teve início nos territórios situados nos dois antigos impérios romanos, o de Ocidente (Europa Ocidental) e o de Oriente (Europa de Leste).

Como vimos anteriormente, a igualdade, mesma a política, sobrepõe-se à liberdade e está associada a sentimentos de inveja que conduzem as sociedades que a adotam à autossabotagem – eu não tenho, os outros não podem ter; eu não faço, os outros não podem fazer.


Muitos poderão pensar que esta ideia de socialismo/comunismo é nova. Mas se deitarmos um olhar atento aos sítios de onde surgiu e aonde encontrou mais combustível, verificamos que não passou de uma reação dos oprimidos ao jugo dos patrões que há muito os exploravam, através das igrejas católicas.


Têm sido apenas as sociedades de cariz coletivista a sentirem-se atraídas por estes ideais de socialismo/comunismo. As mesmas que preferiram manter-se sob o domínio do antigo império romano, onde reinam a igreja católica de rito latino, no Ocidente; e a igreja católica ortodoxa, no Oriente.


Todos os povos que fizeram a Reforma Protestante e com ela de Roma se libertaram, nunca a tal ideal aderiram, tendo criando em oposição o capitalismo.


As bases culturais das nações relacionam-se com o caráter dos povos que lhes deram origem.


Podemos concluir que não existem diferenças entre católicos e socialistas/comunistas, embora a igreja católica de rito latino, com medo que lhes acontecesse o mesmo que os bolcheviques fizeram à igreja católica ortodoxa – a sua destruição ou proibição de culto - tenha tentado convencer os crentes do contrário.


Nos países católicos, todos os cidadãos, independentemente da sua origem socioeconómica, acham que todos devem ser iguais e debaixo do mesmo manto protetor de um Estado despótico e centralizador.


Os que vêm das camadas sociais mais desfavorecidas (operários, agricultores, etc.), acham que tudo é de todos, apenas para usufruir e nunca para cuidar - São os crentes sobe controlo da religião católica, ou então por algum partido que lhes prometeu idêntico sonho de igualdade.


Relativamente àqueles que já nascem com uma herança e que por isso pertencem às camadas superiores da sociedade, preferem antes pensar que somos todos iguais, mas que afinal existem uns mais iguais do que outros (eles próprios). São estes os que têm usado a igreja católica para controlo dos primeiros, das massas reprimidas, através desse mesmo sonho de socialismo/comunismo (em formato de rebanho controlado por um pastor), embora apregoem ao mesmo tempo a iniciativa privada como tribo superior, quando afinal são eles que controlam o tal aparelho de Estado centralizador, o tal que vai buscar os impostos aos trabalhadores para lhes dar a eles, fazendo-se depois passar por falsos capitalistas, atacando o Estado como poder opressor.


No fundo, bem lá no fundo, todos sabemos que os sonhos realizáveis na Terra têm um preço muito alto. Todos já sonhamos um dia sermos ricos, mas bem lá no fundo sabemos que isso não nos irá trazer mais felicidade, pois iremos ter mais responsabilidades, menos tempo para usufruir do dinheiro e ainda teremos que lutar arduamente para protegermos a nossa riqueza dos invejosos. Quando um de nós realiza esse sonho, ele rapidamente cai por terra.


Assim aconteceu com os países da antiga União Soviética. A revolução que fizeram foi apenas uma reação ao poder despótico de uma monarquia associada à igreja católica ortodoxa - o Czar. No entanto, as pessoas continuaram a ser as mesmas, com a mesma cultura e por isso produziram uma ideologia política, o comunismo, muito parecido com a ideologia católica. A única grande diferença é que os comunistas lutam enquanto os católicos estão habituados a viver de joelhos.


Ao fim de algum tempo, depois do sonho se ter realizado, cansaram-se, voltando-se para outro sonho, “mais brilhante e apetecível”, como tem sido o do Ocidente, onde tudo reluz e as pessoas têm ideias próprias e são mais democráticas. Ao contrário do que muitos pensam, o socialismo/comunismo não fracassou. Os seus cidadãos apenas se voltaram para outro sonho aqui na terra, aparentemente melhor porque ainda não tinha sido experimentado. Na realidade, o que aconteceu, foi uma incompreensão relativamente ao mindset de outras culturas. Não perceberam que para os protestantes, o acumular de riqueza é apenas um indicador de sucesso para entrada num paraíso futuro, noutra vida para lá desta terrena. Infelizmente, muitos esquecem-se que sem as bases culturais individualistas e de baixa dependência do Poder, tal sonho de felicidade é inatingível, quer aqui na terra, quer no paraíso.


Basta olharmos para as diferenças entre os dois continentes da América, ambos com a mesma dimensão, o mesmo nível de recursos e ambos povoados por povos igualmente inteligentes: os anglo-saxónicos no Norte e os portugueses e os espanhóis no Sul. Rapidamente constatamos que o continente governado por católicos rapidamente se tornou num antro de corrupção, despotismo político e criminalidade, ao passo que no Norte, dominado por protestantes, judeus e poucos católicos, esse continente, desde início, se transformou no mais poderoso à face da Terra.


Acabámos por descobrir que mais riqueza não é sinónimo de mais felicidade. Daí que um sonho de felicidade eterna, num futuro próximo, algures noutra vida, sem trabalhar, seja muito mais promissor. A igreja católica tem oferecido esse sonho eterno às suas duas grandes clientelas…, aos que preferem viver na pobreza de espírito e aos ricos, aqueles com dinheiro para pagar um bilhete de entrada para o paraíso.

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Eduardo Baptista

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