As Forças de Segurança, o Sindicalismo e a Democracia

Recrutar elementos para as Instituições de Soberania que sintam o que é a liberdade e a democracia, tem sido um dos maiores desafios da República portuguesa.


Em 21 de abril de 1989, dava-se um dos episódios que mais marcou pela positiva a democracia portuguesa - "Secos e Molhados". Milhares de Agentes da PSP exigiram a legalização de um sindicato para a polícia. Mas ninguém lhes ligava.

O Diretor-geral da PSP, à data, um "velho" General do Exército, de seu nome Almeida Bruno, numa "verdadeira" atitude de afirmação de hierarquia militar e de falta de visão estratégica para os novos tempos que aí vinham, fez um favor ao país e aos manifestantes e mandou a polícia de choque carregar contra os seus próprios camaradas.


Em 21 de abril de 1989, dava-se um dos episódios que mais marcou pela positiva a democracia portuguesa - "Secos e Molhados"

Numa atitude de obediência cega, assim o fizeram, embora depois tenham aberto os olhos. Se não tivesse sido assim, ainda hoje ninguém sabia o que eram as Forças de Segurança nem quais os seus problemas como seres humanos e seres profissionais.


Antigamente, os que faziam a guerra era os mesmos que faziam a política. Com o emergir dessa nova classe, "a Burguesia", novas metodologias foram inventadas para garantir que aqueles que trabalhavam com armas nunca viessem a pôr em risco o lugar desta classe dedicada ao comércio e ao negócio. Para tal tiveram que inventar um sistema destinado ao controlo político de polícias e militares.


Claro que a melhor forma que encontraram de o fazer foi recrutar apenas pessoas que nunca tivessem vontade de ir para o poder. Pessoas que quisessem agir sobre os outros, mas sem terem que assumir responsabilidades pelos seus atos, que é o mesmo que dizer, atuando às ordens de terceiros - o Poder.


"Obrigaram aqueles que quisessem vir para as Forças Armadas e de Segurança a trocarem liberdade por segurança."

O esquema foi simples. Obrigar aqueles que quisessem vir para as Forças Armadas e de Segurança a trocarem liberdade por segurança. Ou seja, prescindiam de parte do seu estatuto jurídico-político de cidadãos em troca de uma carreira segura e previsível, no aparelho do Estado.

E o esquema foi a criação de estatutos onde polícias e militares não tivessem direito a um sindicato que pudesse, junto das chefias e do poder político, reivindicar direitos e necessidades.


Assim se foram atraindo os crédulos para as carreiras das armas, pessoas que achavam que se deviam prejudicar para benefício de terceiros. Pessoas que viam as figuras da autoridade, como se fossem o papá e a mamã, capazes de carregar sobre quem quer que ameaçasse estes ou mesmo os criticasse. Assim ficou a Burguesia muito bem protegida.


Mas a sociedade não pára de evoluir. A partir do momento que se criaram os sindicatos das diferentes Forças de Segurança, estas começaram a mudar para melhor, afirmando-se mais pela positiva e pela força dos argumentos perante os cidadãos.


Foram dois, até agora, os grandes exemplos que demonstraram os frutos positivos desta dinâmica:

- Quando a justiça romana tentou condenar à indigência um militar da GNR, Hugo Ernano, tentando mostrar que o Estado não era o poder mais forte dentro de Portugal, mas sim os criminosos e Roma. Aí, a população juntou-se às Forças de Segurança e todos juntos deram apoio moral e financeiramente àquele militar dedicado à causa pública. Tinha assim havido uma recuperação da confiança do Povo português por parte dos polícias.

- Quando, em plena crise de austeridade, o governo de traição nacional, PSD/CDS, achou que bastava a igreja católica para controlar o povo português, que já há muitos séculos andava manso, considerou que podia tratar mal aqueles que os protegiam. Os sindicatos das polícias combinaram-se com a polícia de choque que guardava as escadarias da Assembleia da República, e então furaram o cordão de segurança sem incidentes, numa clara mensagem: Somos nós que guardamos a Casa do Povo português. Só cá entra quem nós quisermos e se quisermos, entramos nós e corremos com vocês políticos.


Muita gente não percebeu, ou não quis perceber esta mensagem!


Foram os únicos funcionários públicos que mostraram atitude perante os abusos do poder bem como capacidade para proteção do Povo, o que já não se pôde dizer das ditas Associações Socioprofissionais das Forças Armadas, autênticos verbos de encher até aos dias de hoje.

Talvez a grande diferença entre os sindicatos das polícias e as associações de militares, tenha sido o facto dos primeiros sempre se terem preocupado com as condições operacionais das suas forças e respetivas missões, ao contrário das segundas que desde o início apenas versavam sobre direitos dos reformados.

Os primeiros quiseram-se assumir como cidadãos, os segundos, nunca tal desejaram, preferindo queixar-se às ditas "TUTELAS", à procura de um ossinho já meio roído.


"Talvez a grande diferença entre os sindicatos das polícias e as associações de militares, tenha sido o facto dos primeiros sempre se terem preocupado com as condições operacionais das suas forças e respetivas missões, ao contrário das segundas que desde o início apenas versavam sobre direitos dos reformados."

Mas as dinâmicas da democracia e da República não param, testando sempre homens e mulheres. Agora os sindicatos das polícias parecem estar cooptados por grupos políticos ligados ao fascismo salazarista e à igreja católica. Parece que muitos dos nossos polícias não compreenderam bem o espectro político em Portugal.


Fartos de serem despeitados por alguns grupos da população, sentindo-se amordaçados na sua capacidade de garantirem a sua própria segurança, dignidade e capacidade operacional, perderam a cabeça e começaram a querer prejudicar os outros, sem que ganhassem nada com isso ou até mesmo se prejudicassem a si próprios, o tal conceito já anteriormente falado de Estúpido.

Não conseguiram perceber que quem verbaliza ideologicamente o princípio de que "os fortes não podem bater nos mais fracos, mas se forem os mais fracos a bater nos mais fortes, aí já não há problema nenhum" tem sido a esquerda, com os seus valores mais femininos. No entanto, quem os tem atacado diretamente na sua dignidade, capacidade de assumirem as funções de soberania nacional e de segurança pessoal, tem sido a justiça, essa instituição colonialista romana operada pelas elites salazaristas, ou seja, pela direita, com valores mais masculinos, mais corretivos.


Agora acham-se salvos pela Direita, estilo Movimento Zero. Infelizmente, apenas vão comer à mão daqueles que sempre os trataram mal para assim os colocarem em tensão e desta forma, quando necessário, os pudessem lançar contra a população, ou parte dela, por exemplo os partidos de esquerda, os homossexuais, os emigrantes e as minorias étnicas. É o velho esquema da domesticação dos seres humanos, não estivessem polícias e militares controlados psicologicamente pela igreja católica romana, mais uma instituição colonialista desse velho império criminoso.


Será isto um teste de stress ao sentido de democracia dos polícias bem como à eficácia desse mecanismo fundamental de manutenção da democracia pluralista - os Sindicatos?



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